Ela não saberia dizer quanto tempo faz, ou quando foi exatamente. Sabe que, de alguma forma fora intuida a entrar naquele lugar escuro, mas cheio de idéias maravilhosas estampadas na parede e a que mais lhe chamou a atenção foi aquela que dizia sobre seus pés e o mundo. E vendo um pouco de tinta no chão, molhou as mãos, carimbou-as ali, ao lado do verso que havia gostado, como quem diz " passei por aqui."
Não esperava que ele reconhecesse suas digitais, uma vez que nem seus olhos conhecia.
Mas ele as reconheceu, e seguiu os rastros de tinta que pingaram da mão dela, no dia que deixara sua marca ali, nas paredes dele. A tinta já estava seca, mas ele seguiu e a encontrou.
E reconheceram-se.
Da onde? Não sabem. Mas sabem que já são quase familiares, e que tem total liberdade pra dizerem o que pensam, um para o outro. O importante é sinceridade.
Não bastava terem se reconhecido. Foram além, se identificaram.
Eu diria que são semelhantes, quase identicos, em alguns aspectos. Mas tem lá suas diferenças.
São como goiabada e queijo.
Ela, goiabada. Toda cheia de frescura, vermelhinha, docinha, grudenta. Ele, queijo. Belo, vistoso, saboroso, mas sem frescuras, sim?
E juntos, formam um sabor antigo mas que até hoje é muito apreciado e o carro chefe das sobremesas caseiras.
Ela é o sonho e levita a todo instante. Seus pés passam longe do chão.
Ele é a realidade e tem os pés no chão.
Mas por outro lado, diria que são complementares.
Porque ela precisa colocar os pés no chão, e ele pode ensiná-la. E ele, pode levitar de vez em quando, e tenho certeza que ela o ensinaria.
São parecidos, de fato. E há entre eles um magnetismo que eu nunca vi igual.
Como se ela tivesse pendurado no pescoço um amuleto de ferro, e ele um imã colado ao seu peito. Atrair-se-iam mesmo se não quisessem.
Encontram-se a noite, sem que ninguém veja ou perceba. Quando chega alguém, tratam logo de acordar, mas sempre se recordam, estiveram juntos.
É engraçado que o que me parece é que, amorosamente falando, ambos sempre estiveram "por cima" das situações. São meio mal acostumados. Mas e agora? (risos)
A pouco tempo um nem imaginava que o outro existia, agora, ele está constantemente nos pensamentos dela.
Aos poucos estão descobrindo suas familiaridades e diferenças, mas acredito que até que ela saiba toda a verdade quen há nos olhos dele, tem muito pra aprender um com o outro.
De alguma forma, tinham que se encontrar.
A Vida, maravilhosamente, se encarregou de encher o jardim de flores para esse encontro, agora é só deixar o Destino falar mais alto.
quarta-feira, 29 de abril de 2009
domingo, 26 de abril de 2009
Helena, eu e a fada azul.
E não me canso de olhar aqueles pequeninos olhinhos verdes, no auge dos seus quatro anos, me observando, sempre a procura de uma pergunta.
- Mamãe, por que você me olha tanto?
- Porque você é linda, filha.
- Mas você não cansa, não?
- Não, filha. Eu passaria a minha vida toda olhando pra você!
- O seu olho é igual ao meu, né?
- É sim, filha. Você gosta dos seus olhos?
- Gosto. - ela olha a sua volta, e arregala seus belos olhos cheios de doçura. - Mamãe, você não sabe o que eu vi hoje!
- O que você viu?
- Uma fada!
- Uma fada, filha?
- É mamãe! Na janela do meu quarto.
- Como ela era?
- Era azul e brilhante!
- Ela te falou alguma coisa?
- Falou, mas eu não entendi direito.
- Por que?
- Porque ela falou muito baixinho. Acho que é porque ela era pequenininha.
- Mas quem sabe ela não volta?
- É né, mamãe.
- Mas eu acho melhor a gente dormir, daí na hora que a gente acordar, talvez ela esteja aqui.
- É verdade, mamãe. Vamos, vamos, feche os olhos. Vamos dormir.
Alguns instantes depois.
- Mamãe.
- Oi, filha.
- Você não vai fechar os olhos não?
- Vou...
- Já sei, você tava me olhando de novo né?
- É filha...
- Mamãe, eu amo você.
- Eu também te amo muito, filha. Agora vamos fechar os olhos, dormir, e esperar a fadinha chegar...
- Tá bom.
- Boa noite, filha.
- Mas ainda é de tarde mamãe.
- Boa tarde, então, filha.
- Boa tarde, mamãe.
- Mamãe, por que você me olha tanto?
- Porque você é linda, filha.
- Mas você não cansa, não?
- Não, filha. Eu passaria a minha vida toda olhando pra você!
- O seu olho é igual ao meu, né?
- É sim, filha. Você gosta dos seus olhos?
- Gosto. - ela olha a sua volta, e arregala seus belos olhos cheios de doçura. - Mamãe, você não sabe o que eu vi hoje!
- O que você viu?
- Uma fada!
- Uma fada, filha?
- É mamãe! Na janela do meu quarto.
- Como ela era?
- Era azul e brilhante!
- Ela te falou alguma coisa?
- Falou, mas eu não entendi direito.
- Por que?
- Porque ela falou muito baixinho. Acho que é porque ela era pequenininha.
- Mas quem sabe ela não volta?
- É né, mamãe.
- Mas eu acho melhor a gente dormir, daí na hora que a gente acordar, talvez ela esteja aqui.
- É verdade, mamãe. Vamos, vamos, feche os olhos. Vamos dormir.
Alguns instantes depois.
- Mamãe.
- Oi, filha.
- Você não vai fechar os olhos não?
- Vou...
- Já sei, você tava me olhando de novo né?
- É filha...
- Mamãe, eu amo você.
- Eu também te amo muito, filha. Agora vamos fechar os olhos, dormir, e esperar a fadinha chegar...
- Tá bom.
- Boa noite, filha.
- Mas ainda é de tarde mamãe.
- Boa tarde, então, filha.
- Boa tarde, mamãe.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Lá do âmago...
Eu quero acordar com você do meu lado, e ver que a única verdade que há na vida é o amor. Quero olhar nos seus olhos e ver que eu sou a única que habita seus pensamentos e seu coração.
Quero que você abra a porta do carro pra mim, que abra a porta da sua vida para que eu entre de vez nela.
Quero que você segure a minha mão, quando eu tiver vontade de soltar a sua.
Quero que você me ligue quando eu não tiver vontade de te ligar.
E que você me faça voltar se eu quiser ir embora.
Quero que saiba me amar, porque eu sei que eu não sou fácil de lidar.
Quero que você toque a campainha de novo, toda vez que eu bater a porta na sua cara.
Quero que você enxugue minhas lágrimas todas as vezes que eu chorar.
E que você acredite em mim quando todo mundo duvidar do que sou capaz.
Quero que você sorria pra mim toda vez que eu fechar a cara pra você.
Quero que você saiba a hora certa de por a música certa.
Quero que você lembre nossas datas, mesmo se por ventura eu vier a esquecê-las.
Quero que você me escute quando mundo de fizer de surdo.
Quero que você repare quando eu cortar o cabelo, fizer as unhas, sejam das mãos ou dos pés.
Quero que você diga que eu sou a melhor bailarina que há, mesmo sabendo que isso não é verdade.
Quero que você reconheça tudo que eu vier a fazer por você.
Que você nunca me deixa na mão.
Quero que você saiba que eu gosto de dormir com a TV ligada.
Quero que você saiba quais são as nossas músicas e o quanto elas significam pra nós.
Quero que você me esquente quando estiver frio quando eu estiver fria.
E que você diga que eu sou linda, que você me ama e que faria tudo por mim. Porque se você não sabe, fique sabendo: eu funciono muito pelo que eu escuto.
Quero que você saiba que eu sou ciumenta e não provoque nada que me cause esse sentimento tão ruim.
Quero que você seja meu ar, quando eu não puder respirar.
Quero que você seja meus olhos, quando eu não puder ver.
Quero que você seja minha luz, quando houver escuridão.
E quero que você saiba que eu vou te amar sempre, mesmo sendo chata, exigente, ciumenta, indecisa.
Quero acreditar em tudo que você, seus olhos e sua boca me dizem.
Mais eu quero acima de tudo que me ame incondicionalmente.
Porque pra mim, isso é o que mais importa.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Clara e Ulisses
- Às vezes eu não entendo você!
- Por que você diz isso?
- Porque você tem uma capacidade de perdoar, de dar a volta por cima, de superar as dificuldades com a sua meiguice. Não sei, tudo parece fácil pra você. Mesmo que eu saiba que você sofra, não sei, parece que tem algo que te dá forças e alivia sua dor.
- É... eu sei.
- Olhe agora por exemplo, depois de tudo que eu te disse, tudo que eu te fiz, você pode até se chatear, pode até chorar, mas você vai embora com a sua santa serenidade, que eu não sei da onde você tira, e amanhã você vai conseguir trabalhar bem! Eu não!
- É como você disse, tem algo que me dá forças e alivia a minha dor.
- O que é isso? Como você consegue levar a vida, a sua vida, pra ser mais específico, assim? Com esse sorriso cheio de mel e de amor, com esse coração cheio de serenidade?
- Por que você diz a minha vida?
- Por que você só sofreu, só foi traída, todos os seus namorados, todos os caras que passaram pelo seu caminho foram uns imbecis, incluindo eu. Porque as pessoas abusam da sua bondade, Clara! Como você consegue viver sabendo que você é alvo fácil pra maldade alheia, por ser tão bondosa? Você não tem medo de sair de casa? Eu não entendo como você consegue!
- Quer saber como eu consigo? Em primeiro lugar, Ulisses, eu não me faço de vítima da situação! Assim como você se faz de vítima da sua vida! Tudo vai contra você, não é mesmo? Todo mundo é ruim e só quer o seu dinheiro! Você é um pobre cordeiro no meio de uma alcateia! Em segundo lugar, eu não faço tempestade em copo d'água, as situações pra mim tem níveis de gravidade, vamos dizer! Mas pra você, tudo que acontece na sua vidinha é uma tragédia! Mas que tragédia você sobreviveu pra contar história? Hein? Agora é claro que você me vê dessa forma, você para e olha pra sua vida, onde não acontece nada, e você faz um puta dum alarde, quando você olha pra minha vida, onde acontece uma coisinha de nada, você já acha que é o dilúvio! E quando eu saio do meio das águas, que só você enxerga, você me vê como uma santa, uma resignada, uma cristã maravilhosa, uma criatura divina que passa por seus problemas como um anjo passa por uma nuvem cinzenta! Acontece Ulisses que nem tudo é como você vê, como mamãe te ensinou! As pessoas tem pontos de vista diferentes! E olhe bem e analise o que é um problema de verdade, e o que é uma pequena chateação.
Quer saber, Ulisses? Eu agradeço a criação que sua mamãe te deu, e agradeço o chifre que você colocou na minha cabeça, assim eu vejo que nós não temos, realmente, nada de semelhante um com o outro!
Passar muito bem!
E pela primeira vez, Ulisses percebeu que Clara não era tão serena assim...
- Por que você diz isso?
- Porque você tem uma capacidade de perdoar, de dar a volta por cima, de superar as dificuldades com a sua meiguice. Não sei, tudo parece fácil pra você. Mesmo que eu saiba que você sofra, não sei, parece que tem algo que te dá forças e alivia sua dor.
- É... eu sei.
- Olhe agora por exemplo, depois de tudo que eu te disse, tudo que eu te fiz, você pode até se chatear, pode até chorar, mas você vai embora com a sua santa serenidade, que eu não sei da onde você tira, e amanhã você vai conseguir trabalhar bem! Eu não!
- É como você disse, tem algo que me dá forças e alivia a minha dor.
- O que é isso? Como você consegue levar a vida, a sua vida, pra ser mais específico, assim? Com esse sorriso cheio de mel e de amor, com esse coração cheio de serenidade?
- Por que você diz a minha vida?
- Por que você só sofreu, só foi traída, todos os seus namorados, todos os caras que passaram pelo seu caminho foram uns imbecis, incluindo eu. Porque as pessoas abusam da sua bondade, Clara! Como você consegue viver sabendo que você é alvo fácil pra maldade alheia, por ser tão bondosa? Você não tem medo de sair de casa? Eu não entendo como você consegue!
- Quer saber como eu consigo? Em primeiro lugar, Ulisses, eu não me faço de vítima da situação! Assim como você se faz de vítima da sua vida! Tudo vai contra você, não é mesmo? Todo mundo é ruim e só quer o seu dinheiro! Você é um pobre cordeiro no meio de uma alcateia! Em segundo lugar, eu não faço tempestade em copo d'água, as situações pra mim tem níveis de gravidade, vamos dizer! Mas pra você, tudo que acontece na sua vidinha é uma tragédia! Mas que tragédia você sobreviveu pra contar história? Hein? Agora é claro que você me vê dessa forma, você para e olha pra sua vida, onde não acontece nada, e você faz um puta dum alarde, quando você olha pra minha vida, onde acontece uma coisinha de nada, você já acha que é o dilúvio! E quando eu saio do meio das águas, que só você enxerga, você me vê como uma santa, uma resignada, uma cristã maravilhosa, uma criatura divina que passa por seus problemas como um anjo passa por uma nuvem cinzenta! Acontece Ulisses que nem tudo é como você vê, como mamãe te ensinou! As pessoas tem pontos de vista diferentes! E olhe bem e analise o que é um problema de verdade, e o que é uma pequena chateação.
Quer saber, Ulisses? Eu agradeço a criação que sua mamãe te deu, e agradeço o chifre que você colocou na minha cabeça, assim eu vejo que nós não temos, realmente, nada de semelhante um com o outro!
Passar muito bem!
E pela primeira vez, Ulisses percebeu que Clara não era tão serena assim...
terça-feira, 21 de abril de 2009
A deusa Liz e o Mel do Sol

É de seda, não se nega. Veja só que cousa mais bela.
E do mel ela surge, e nós, como abelhas, nós a queremos. Nós rondamos e zumbidos em volta de sua beleza, sua graciosidade.
Liz, ela surge assim, divinamente.
Em tempos de amargura, de bocas marrentas, ela chega trazendo suas flores, seu mel, mel do sol, que escorre da paixão, das mãos de todos nós.
Ela é generosa, ela vem pra adoçar as minhas amarguras e trazer cor aos dias cinzas que insistem em fazer definhar o que tenho de mais belo.
Vem Liz, Deusa do Mel do Sol, traz para todos nós a brandura que habita em seus olhos, a meiguice que escorre de teus lábios quando falas.
E a madrepérola em suas cores vãs, no vitral insone das manhãs, você viu passar?
E ali, havia um menino esperando, e foi a cena mais linda que já vi, a Deusa alimentando o menino com o Mel do Sol, que escorria das suas mãos.
E nós, pobres poetas, inspirados por sua beleza e sua meiguice, nós nos prostramos de joelhos no chão e choramos por um pouco de sua doçura, de seu mel.
E ela fez chover do Sol, cachoeiras e cachoeiras de mel, e agora todos nós, ainda que pobres poetas temos nossas palavras banhadas ensopadas pelo mel, mel divino de Liz, Mel do Sol, que fará delas as mais belas e mais doces palavras escritas na face de todas as terras....
quarta-feira, 15 de abril de 2009
A Mistura Gabriela
-Eu sou assim, um caldeirão, uma miscigenação. Uma mistureba de gente diferente, de culturas, sabores e temperos. Assim como todo bom brasileiro! -Pera aí, você não é Galega não, menina?
-Calma ai doutor, deixa eu te contar da onde eu vim...
Não vim do Norte, como Gabriela do Amado, e não tenho cheiro de cravo e muito menos cor de canela.
Posso dizer que eu tenho um pézinho na oca, se é que você me entende.
Isso mesmo. Sou descendente de índio, mas não me pergunte que tribo. Não sei se é tapajó, não sei mesmo. Sei que minha tataravó paterna era índia mesmo, pele vermelha, cabelo comprido, preto e liso.
Eis que surge a explicação para meu sangue quente, e um pouco da minha geniosidade: gosto muito de paella, na verdade, tem um pouco, ou um muito de sangue espanhol fundido nesse sangue misturado, que corre nas minhas veias.
Vai ver que é por isso que gosto tanto de Flamenco e Luis Miguel. E por isso que falo alto e sou quase explosiva. Mi sangre Rojo! Literalmente.
Mas como poderia explicar os cabelos louros e os olhos verdes, o sobrenome de Vodka, como muitos dizem?
Vieram da Polônia, fugidos. Vó Helena e sua família. Minha tataravó materna. Fugidos da invasão nazista.
Vó Helena era uma mulher de fibra. Ela e os seus esconderam-se dentro de um túmulo, com um pouco de sal para enganar a fome, durante sete dias.
O pouco dinheiro com qual conseguiram fugir, Vô José teve um surto e jogou tuuuuuudo no mar!
Daí vem o Sikorski, os cabelos, os olhos, e outras cositas mas.
- Tá faltando alguma coisa nesse caldeirão, tá não?
Por que você é meio desastrada menina? E gosta tanto de um vinho do porto?
Ora pois, da onde você acha que vem o Cerqueira Cesar? De Roma? Hahahaha!
Um pé no bacalhau, no pão, no vinho. A Vó Ceição veio lá da Ilha da Madeira, ainda menina, com sete anos apenas. Divagando entre mar e céu como seria a vida no Brasil.
-Mas e o lado árabe? Como assim você não tem um pézinho no camelo?
Isso é coisa de outras vidas, doutor.
- Muito bem, menina. Se eu quiser fazer uma Gabriela então só preciso misturar num caldeirão uma índia, uma portuguesa, uma polonesa, uma espanhola, uma árabe, um pouco de pimenta, coentro, flores, sorrisos, palavras,simpatia, coragem, fé, música, romantismo, dança, amor, muito amor, literatura, história, muito sentimentos e terei uma Gabriela novinha em folha, sim?!
Sim! Mas tão faltando algumas coisinhas aí...(risos)
- Muito bem! Obrigado! Tentarei a sua receita!
Boa sorte!
terça-feira, 14 de abril de 2009
Tristeza Clandestina
Eu não estou de TPM, e não estava nos meus planos que essas lágrimas viessem à tona esses dias.
Tenho me sentido da pior maneira possível, com aquela auto-piedade infernizante, como se fosse uma pré-adolescente imbecil em sua fase emo!
A vontade é que eu tenho agora é de sentar e chorar. Mas como há sempre uma boa notícia dentro de nós, existe uma parcela dos meus átomos que insiste em gritar : REAJA!
Não programei essa tristeza para essa semana, não havia nada, aparentemente, que pudesse me deixar com esse sentimento. É uma Tristeza Clandestina.
Entrou pelo deserto e eu nem percebi. Se instalou aqui e se aproveitou de todas as pequeninas coisas que me chateiam pra fazer uma tempestade num copo d'água.
Eu me sinto sozinha. Como não me sentia a muito tempo.
Eu me sinto invasora. Como se essas paredes não vissem mais graça em mim.
Eu sinto vontade de dizer a eles: Por favor, sejam gentis comigo, ano que vem eu sentirei muita saudades de vocês! Vamos aproveitar os momentos em família!
Mas que adianta falar? Fazia tanto tempo que não me sentia incompreendida assim.
Minha mãe pede: seja mais evoluida, seja mais adulta que seu irmão, tenha paciência com ele, seja mais elevada que ele...
Mas às vezes a gente não quer ser nada, a gente quer só ser pequeno, pra voltar a caber no colo de mãe. A gente só quer um colo, só isso.
Mas é tão difícil pedir colo quando a gente cresce...
Eu só queria acordar hoje e ver que esse inferno astral passou, olhar e ver um mar de prédios, sorrir lembrando que hoje é sexta-feira e eu vou voltar pra casa ver minha mãe e minha família.
Tenho me sentido da pior maneira possível, com aquela auto-piedade infernizante, como se fosse uma pré-adolescente imbecil em sua fase emo!
A vontade é que eu tenho agora é de sentar e chorar. Mas como há sempre uma boa notícia dentro de nós, existe uma parcela dos meus átomos que insiste em gritar : REAJA!
Não programei essa tristeza para essa semana, não havia nada, aparentemente, que pudesse me deixar com esse sentimento. É uma Tristeza Clandestina.
Entrou pelo deserto e eu nem percebi. Se instalou aqui e se aproveitou de todas as pequeninas coisas que me chateiam pra fazer uma tempestade num copo d'água.
Eu me sinto sozinha. Como não me sentia a muito tempo.
Eu me sinto invasora. Como se essas paredes não vissem mais graça em mim.
Eu sinto vontade de dizer a eles: Por favor, sejam gentis comigo, ano que vem eu sentirei muita saudades de vocês! Vamos aproveitar os momentos em família!
Mas que adianta falar? Fazia tanto tempo que não me sentia incompreendida assim.
Minha mãe pede: seja mais evoluida, seja mais adulta que seu irmão, tenha paciência com ele, seja mais elevada que ele...
Mas às vezes a gente não quer ser nada, a gente quer só ser pequeno, pra voltar a caber no colo de mãe. A gente só quer um colo, só isso.
Mas é tão difícil pedir colo quando a gente cresce...
Eu só queria acordar hoje e ver que esse inferno astral passou, olhar e ver um mar de prédios, sorrir lembrando que hoje é sexta-feira e eu vou voltar pra casa ver minha mãe e minha família.
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